segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Papo de bêbado - Parte 2

( ... )

- Você só sabe aquilo que conhece, e isso não é tudo - dizia-lhe o Oráculo.

"Komázein"
- ouviu, sem avistar o interlocutor.

- Que são essas vozes que ouço? Quem são? O que querem? Por que me sinto perturbado com isto? Por vezes algumas me sussurram com os mais aveludados e sinceros timbres, mas também sinto em outras, de forma velada os mais cruéis e venenosos intentos, condensados em palavras. Todas me parecem tão difíceis de se compreender quanto o próprio significado de minha existência. Vamos,
responda-me! Apenas diga qualquer coisa que me livre, ou mesmo amenize minha angústia!

E diante do sofrimento de nosso amigo, o Oráculo, aparentemente ciente do que se passava dentro de sua cabeça, permaneceu imóvel e em silêncio, simplemente lhe observando com um ar solidário.

De súbito, nada mais parecia lhe importar, estava até feliz. Tudo o que queria era estar com seus amigos, dançar, cantar... Foi embora. E saíram a cantar, rir e comemorar sabe-se lá o quê (talvez nem eles soubessem), numa graciosa dança pelas
claras ruas, iluminadas pela luz da lua cheia. Mas nosso amigo, como sempre embriagado, agora tinha seus pensamentos novamente imersos naquele Azul, que lhe trazia paz.

( ... )

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